terça-feira, 3 de junho de 2014

Psicologia Humanista e Religião

Existe claramente uma interface entre a Psicologia Humanista e Religião. A Psicologia Humanista encontra-se voltada para a valorização do homem como senhor pleno e absoluto de si mesmo. Nesta concepção o homem é um sujeito consciente e capaz de se auto realizar através da compreensão de seu eu profundo e de suas potencialidades. Um ser que caminha sempre em busca de desenvolvimento por encontrar-se dotado de capacidades ilimitadas de crescimento. Essas afirmações foram percebidas através da abordagem psicoterapeuta de Maslow e Rogers, sendo que, com Maslow particularmente, em seus trabalhos publicados com Rogers no atendimento clínico.

A Religião, por sua vez, prioriza a consciência como fator de responsabilidade moral do homem probo, sujeito honesto, íntegro e correto, que respeita as leis divinas e o próximo. Segundo Eliade, uma crença religiosa também é sentida como algo sagrado capaz de curar e aliviar as dores e culpas, que eleva o ser ao transcendental, que o liberta do profano. Esta demanda persegue o homem desde suas origens primárias no mundo.
A Psicologia Humanista ainda aponta para uma capacidade de transcendência, posto que o homem auto realizado seria um ser dotado de capacidade de ir em busca de ideias superiores como o amor, a esperança, a felicidade e a generosidade, fatores que comungam de pleno acordo com a religião, que também deseja aflorar essas capacidades maiores no ser humano além de vê-lo espiritualizar se, ter gratidão e respeito ao próximo.
Outro detalhe em comum é que a Psicologia humanista e a Religião percebem a necessidade de mecanismos de correção no percurso do ser humano. A Psicologia Humanista quando afirma que o sujeito é saudável, mesmo não estando em posição de auto realizado o tempo todo, sendo o mesmo consciente e sensível à percepção de contrários durante a sua existência e ainda assim capacitado a seguir adiante superando os obstáculos da vida. Neste ponto a religião indicaria de certa forma a mesma direção de enfrentamento das adversidades, ter fé em Deus e fazer uma resinificação, como se diria em Psicologia utilizando-se da resiliência.

Referências:

ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano. Tradução Rogério Fernandes. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1992.

GOTO, Tommy Akira e GIANASTACIO, Vanderlei. A Transcendência Divina na Vivência do Homem: Perspectiva da Psicologia Humanista-Existencial.
Disponível em: HTTPS://www.metodista.br/ppc/correlatio/correlatio03/a-transcendencia-divina-na-vivencia-do-homem-perspectiva-da-psicologia-humanista-existencial. Acessado em 26/04/2014, 20h00minh.
KAHHALE, Edna; M. Peters (Org.). A Diversidade da Psicologia: Uma construção teórica. São Paulo: Cortez 2002.


SCHULTS, Duane P.; SCHULTS, Sidney Ellen. História da Psicologia Moderna. São Paulo, Ed. CENGAGE, 2013.

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